sexta-feira, 30 de março de 2012

Massinha de modelar

Quem és tu ser informe?
O qual eu dou a forma do meu querer

Seu formato modelado
Destruído pelo meu desejo
E transformado e preenchido com as minhas vontades

Que medo é esse de saber a verdade
A verdade de não teres a forma que eu construo dia a dia
Essa forma que te espera para ser desfeita e refeita

Uma vez já pronta e desmontada
Agora espera por ser destruída
E novamente refeita

Estranho ser que tem um molde
Que molde é esse?!!!

Estranho ser
Ser informe
Desforme
Sem forma
Ser com forma
Forma
Sem forma

Eu transformo
Tu te destruirás
Tu te moldarás 
E me decepcionará

Assim eu espero
Que de tanto te querer
De tanto te moldar
De tanto te desejar
Espero me decepcionar

Pois só assim poderei decepcioná-lo também
Quero destruir essa forma
E ver-te como és realmente

Para que possas me ver
Não com os olhos dos que me veem
Vendo eles até onde eu permito

Espero que me tires do sério
Que me vejas como sou realmente
Imperfeita com desejos
Perfeita com falhas

Ser
Estranho ser
Ser que já não é mais informe

A ti dedico versos
Que correspondem
Ao ser de forma que construí

Nessa moldura
Você consegue me sentir
Como  num sono leve
Onde o sonho e o real por segundos se misturam
Onde são confundidos

Assim como rapidamente são restabelecidos os sentidos
O sonho se torna...sonho
E o real...real

Pegue-me
Que te pego

Deseje-me
Pois já te desejo

Não me queiras
E não te quererei

Não me olhes
E  eu te deixarei... ...


Do só para o só nada mudará
Do foi para o não foi
Toda diferença terá

Depois do mel tudo é amargo
Mas sem mel não existia nada tão saboroso
Também não existia o mel
E o sem sabor
Saboroso estava

Então o conforma a forma que dei
E o sem sabor que saboroso estava
Um dia quem sabe
Se nesses versos você se encontrar
E me encontrar também

Talvez com a des-formação, quem sabe?!!
Quem sabe mel
Talvez limão

E porque não o des-formado
Só seja o propósito destes versos

Uma vez para o desforme
Que foi transformado
Com o fundamento de criá-los

Se por acaso o acaso nós traiu
E és tu a forma de outro

Preserve os versos
Para quem te dá forma de completar
Ainda que de forma desforme
Se completem

Ficou triste
Ficaram tristes esses versos
Pois findou em separação e não em união
Talvez não para quem é transformado e para quem escreve... união
Mas para ambos união com outros

Um para o qual esses foram direcionados e não foram escritos versos
Outro para quem escreve
Ambos não estão tristes
Porém os versos estão
Tão tristes... ... ...

Apesar de o fim ser feliz
Os versos não contam um final feliz
Não ao menos para os dois juntos
Porém talvez separados

Espere ai!!!
Para quem os versos foram direcionados não o leu
E se leu será que sabe que são para ele os versos?!!!

Se há serenidade  no horizonte
Onde surgem os primeiros raios de claridade
Mas ainda não surgiu a fonte de luz

Onde esses versos começam
Tu te encontras e antes de ver o formador destas palavras
Já o sente como num pré-sentir de querer
Assim como quem escreve o pré- sente

Mas para quem lê e não pertencem os versos
(portanto não são para tu esses)
Não sinta tristeza

Pegue emprestados os rabiscos
Chame-os de versos
Chame aquele ser estranho informe de sua vida
De ser informe

Leve- os  para debaixo do travesseiro
E durma um sono não muito pesado nem muito leve...
E Saboreie do doce dos doces ...
E do manjar dos manjares...
Do mel...
Enfim... ....
De tudo.

domingo, 25 de março de 2012

Cruz e Souza

Desculpe-nos
Perdoe nossos prés

Por não sermos tão puros
Afim de não reconhecermos o que era por inevitável... reconhecível

Onde erramos nosso poeta de alvas, claras?!
Onde... pecamos de cegueira?!
Onde fomos muitos nós e pouco verdade?!

Tínhamos a ti tão nosso
Tão verdadeiramente simbolista
Tão legitimamente
Da nossa...
Nossa terra

Da nossa...
Nossa gente

Tão meu...
Meu poeta

Tão meu...
Socorro urgente

Cruz!
Crucificamos a ti

Sim
Estou nisso
Meu passado
Nosso passado
Meus antepassados
Nossos... ...

Onde deixamos de nos orgulhar?!
Onde te perdemos?!
Por qual porta partiste
E nos deixaste

Amam-te hoje
Reconhecem-te
Desejam a ti

Desejam tua pele negra
Sua obra tem valor
Tem sustento
Tem preço
Mas agora!!!

O negro da tua pele fere-nos
Mancha a nossa integridade mentirosa

Souza! Em vida fomos muito nós
Em morte procuramos redenção
Tua capacidade foi para nós vaidade
A qual não pudemos abandoná-la
Tínhamos que ser ignorantes
Que valorizar o não nosso

E tu que és tão... nosso
Nosso...
Meu ...
Seu, daqui...
Meu...
Nosso...

Negro da pele ardida
De cabelos grenhos
De olhos negros
Lábios grandes
Negro

Tu estás em mim
Tuas palavras me ajudam
Aliviam – me

Palavras doces
Puras
Limpas

Manchadas por nós
Sujas pela nossa incompreensão

Meus tios na tua pele
Meus avós na tua carne
E em minha nação o pecado
A mentira
A Hipocrisia 
Ignorância

Meu poeta negro
Poeta
Não importa negro
Sim poeta
Com dom

Tu és um diamante
Impedimos tua transformação
Tua lapidação

Diamante negro
Precioso
Bonito
E raro

Abramos nossos olhos
Rejeitemos menos

Sejamos menos nós
Sejamos mais o nosso
Assim espero
Pois têm muitos Cruz
E muitos Souza

Basta para nós não calá-los
Assim desejemos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Máquina do tempo


Como é a dinâmica da máquina do tempo ? Como funciona esse transporte? Um meio de deslocamento no qual não são precisos  rodas, trilhos, deslizar, nem de ar, nem de calor.Pois esse deslocamento não é um espaço de distância de lugares, mas sim de tempo onde há uma barreira que ultrapassa o espaço- tempo- contínuo e chega em tempos não vividos, tempos revistos e re-revistos. Um desejo de desfazer o feito uma vontade de fazer o não feito. Quantas viagens seriam precisas para si ter certeza que acertou?! Quantas viagens seriam necessárias para dizer chega ?! Viver de passado é nunca ter futuro. Viver de futuro é nunca ter surpresa. Uma vez no passado, o passado é presente, uma vez no futuro, o futuro é presente, então quando o presente é presente?! De tantas idas e vindas ao futuro e ao passado, perdeu-se o presente. E como voltar ao ponto de partida, quando no trajeto o cominho de volta foi esquecido. Um desejo imenso de que o presente não fosse presente, era preciso matá-lo, fugir dele, esquecê-lo. Nele o passado é imutável, nele o futuro é incerto, nele não queremos viver. Então escolhemos entrar na máquina do tempo, um transporte sem limites de viagens uma fuga do presente, estranho que quando chegamos no passado seja ele qual momento for, nós damos conta que estamos novamente no presente. Uma vontade imensa de não errar, olhar para o passado é sempre ver possibilidades de um presente diferente, se o passado tivesse sido diferente. De repente chegou o futuro-presente e ao olhar para o passado percebe-se que somente viveu de analise e o presente sempre foi virando presente- passado e perdendo-se. Todos querem voltar, ninguém quer ir enfrente, sendo conhecedores no presente-presente de um presente- futuro que no presente -passado era desconhecido, agora mil e um, todo dia analisado. Não deveria ser tão ruim olhar para ele, o passado-passado .  Pois  nele podemos  ver as respostas necessárias para o presente- futuro sem que queiramos  fugir.

terça-feira, 20 de março de 2012

Tu estás só, Tu NÃO estás só


Tu estás quieto...
Não só hoje
Já á algum tempo

E sinto uma aflição em tua mudes
Pois surgem em mim dúvidas

Será que estás feliz?!
Triste
Abatido
Contristado
Confuso
Ou como eu
Com medo

Ah! Se fossemos ao menos amigos
Para que pudesse te ajudar
Fosse esse o caso

Fosse felicidade
O teu sorriso
Saltaria de ti e atingiria a mim
Porém
Como saber
Existe apenas o silêncio

No mundo moderno
Onde eu te encontro em palavras soltas
Palavras de enigmas a decifrar
( Isso são elas para mim)

Porém
Um vazio de escrita
Quebrado hora ou outra
Por situações maiormente...vagas
Maiormente...confusas

Fosse eu seu travesseiro
Fosse eu ele...
No teu sono ou na ausência dele
Socorria a ti

Fosse...
Fosse fácil assim
Quisesse...
Quisesses tu assim

Nosso diálogo não se faz por palavras trocadas
Faz-se por enigmas
Por situações
Por ações

Sinto falta de encontrar seu olhar
De falar com ele
Apenas o vejo em imagens estáticas
E eles me parecem tão... perdidos

Leitor ajude-me,
(O leitor) “Tu sabes o que é preciso fazer
Faça!
Pois estas afligindo os vários ouvidos

Queres socorrê-lo
Socorra-o

Queres ser feliz
Pela felicidade dele
Seja”

E se de todos no mundo
Ele for o único a não encontrar essas folhas?
“ Ele achará o caminho delas
Liberte-as”

Façamos um acordo
Todos nós aqui
Eu escreverei
E vós de mão em mão
Farão chegar até ele

Tu não estás só
Apenas achas que estás
Estive contigo
A todo o momento

Em suas indignações
Eu te apoiava

Nas lembranças que te traziam tristeza
Eu te abraçava

Nas lembranças que te traziam saudades
Eu segurava sua mão

Tu me sentes...
Eu sei
Pois é assim comigo também
Eu te sinto...

E nossos sentires
Encontram-se
Num mundo além desse
Num mundo... onde os desejos predominam

Não desejos de carne
Desejos de desejos
Apenas...

Estou hoje aqui nessas linhas
Para segurar sua mão
E deixar que nossos dedos
Se amem...
Se preencham... ...
Se sintam... ... ...
Se aqueçam... ... ... ...

Que minha unha roce seu dedo
Num carinho...
Tão singelo ... ...
Mudo... ... ...
Amoroso... ... ...

Acreditas que te senti agora?
Agora aqui
Nesse trajetar de palavras

Então se ao ler
Apertar bem forte sua mão
Conseguirás me sentir

E onde eu estiver nesse momento
Todo o meu redor fugirá
E eu te encontrarei

Tudo isso
Poderia ser traduzido em apenas
Algumas palavras verdadeiras
Simples...
Diretas...
Singelas...
E puras...
Tu não estás só
Sorria então.

Aqui

Tu não estás ao meu lado
Esta é a verdade

O leitor intromissor
Poderá até defender- te
Porém não poderá mentir
Ou inventar

As razões
Pouco importam
Prevalecerá a verdade
“Qual a verdade?”

Não sou tão mais covarde
Do que tu
Não fiz tão menos por ti
Quanto tu por mim

A face dupla dessa moeda
Tu guardas para ti
És para mim tão incerto e duvidoso
Quanto sou para ti

Se
Tenho medo
Tu tens mais
Sou covarde, não nego
Porém  tu és mais

Às vezes te quero
Assim como hoje
Às vezes...
Às vezes... ...

Até muitas vezes
Rejeito esse querer

Meus temores
Tu não queres conhecer
Encontre-me hoje
Ou me perderás

E se
Diferença nenhuma para ti fizer isto
Para mim terá sabor de verdade
Tu não estás
Aqui...

Aqui quando nasceu o dia hoje
Nesse mesmo aqui
Quando surgiram mais dúvidas

Ali...
Ali te quis
Ali num sono meio
Ou talvez totalmente
Mentiroso

Tu me enlouqueces
Trinca minhas estruturas
E faz meu prédio balançar

Implodes minhas certezas
Abalas meu coração
Mas não estás aqui...

Aqui...
Somente
Essa certeza.

Amor perfeito

Cresci assistindo filmes americanos, novelas brasileiras e lendo romances. Em todos existe uma mocinha que corre perigo porque um vilão quer prejudicá - la e de repente , o mocinho aparece para salvá-la e vivem felizes para sempre. E descobri que na vida real ele é bem menos príncipe do que deveria ser. Existe algo errado?!!! Se o príncipe é perfeito, o meu mocinho veio quebrado. Nada disso,  nos contos de fadas ou romances encontram-se omitidos os defeitos do príncipe,  afinal não somos perfeito mas sim uma mistura de erros e acertos. Mais criamos tão fielmente essa ilusão e arrastamos ela para nosso dia-a-dia nem que isso se torne um pesadelo. Começamos a ver príncipes em todos os lugares para onde olhamos “ Aquele!" " Aquele!" " Hummm. Aquele talvez”. E quando começamos a namorar um desses e os defeitos que vem embutido começam a aparecer não suportamos a desilusão. Então começamos a querer tornar esse ser humano, em um ser perfeito, mas você  perguntou  se ele quer mudar? Porque se isso não for a vontade dele então estará numa luta injusta, onde somente você é quem em vê o mundo cor de rosa. Isso acontece o tempo todo e somos nós mulheres as maiores culpadas pelo príncipe que criamos, pois quanto mais lutamos para mudá-los mais eles resistirão até que alguém desista ou que o fim chegue. Namoradas neuróticas, obsessivas, doentes de amor, assim somos classificadas por cada ato insano que fazemos em nome desse sonho que é apenas nosso. Estamos jogando “ pérolas aos porcos” como diria o provérbio, pois nessa ânsia inexplicável por encontrar o príncipe encantado acabamos nos deparando casadas com o vilão. Não quero matar as ilusões, os sonhos de ninguém, mas sim que reflitam sobre o que realmente vale a pena. Quando penso que nós mesmas armamos essa armadilha que nos fará sofre tanto. Imagino o quanto estamos desesperadas para sermos amadas por um outro e nessa busca se esse outro demorar a aparecer vamos pegar o primeiro que encontrarmos e o vestiremos de príncipe.  Guardemos a perfeição para quem realmente  o é, para nós humildes mortais dê  mais uma chance.
Textos de amor lembre-se é um desejo de nós mulheres e não deles homens. Quando vejo mulheres com um futuro diferente do de nossas mães surgem em mim dúvidas ?! Fomos criadas para sermos submissas e nos tornamos chefes de família, gerentes, profissionais formadas, etc. E de repente, estamos sozinhas porque não estamos preparadas para a independência, mais isso não nós abaterá. Frente a frente, com os homens e nós tornamos frágeis quando se fala em relacionamento, queremos mudar a mente do mundo a nosso respeito, mas não mudamos a nossa ainda. Ganhar o mercado de trabalho não nós torna um barra de ferro como deixamos transparecer, ainda sentimos vontade de chorar quando nós ofendem,  pintamos unha, usamos maquiagem, batom, não perdemos a feminilidade ganhamos apenas status. Outro dia no serviço, um rapaz disse “ ela não sabe cozinhar, que coisa feia." " Deve ter máquina de lavar, com certeza passa só a roupa que vai usar”. Fui classificada pelos dons domésticos que não tenho, faço hora extra, me esforço para fazer meu serviço direito, não aceito “ você não é capaz” e sou taxada como péssima.
Amigas, colegas, companheiras se o mundo e as pessoas não forem cor de rosa, não vamos pintá-las, mais aprender aceitá-las em preto e branco.

Anestesia

No turbilhão da vida
No frenesi dessa cidade que não para
Caminhando sozinha
Quem me dera rumo ao nada...

Porém a caminho de casa
Deparo-me com o real
Com um real... tão real
Que fere...

E entre a razão que deve prevalecer
Essa razão que nos permite manter a sanidade
E sua vertente oposta...a loucura
Sinto-me enlouquecendo

E me tornando
Igual a imagem que meus olhos alcançam nesse caminhar
Nessa selva de pedras
Sinto-me... endurecendo

Sinto-me  como um pássaro
Que ao ser pego na natureza
Debate-se na gaiola até que suas forças se acabem


O que será desse pássaro selvagem?!!!!
Deixá-lo partir?
Opção que não existe

Deixá-lo morrer?
Pois ele morrerá agora ferido com as grades
Ou no futuro
Ferido de tristeza...

.............................
Fui te ver outro dia
Tu não me vistes
Fui buscar um pouco de esperança

Naquele momento que caminhava
Em direção a certeza de te ver
O mundo dos sonhos se abria
E a tristeza do real por segundos se amortecia

Só precisava te ver
Porém quando cheguei e ouvi sua voz
Parei por um instante...

Passos para frente
Passos...receosos para traz
Um medo
Uma certeza
Uma esperança...

Tu estás diferente
Como?... ... ...
Acho que mais encantador
Talvez
Ou fora apenas o primeiro impacto

Queria que me visses
Mas não me vistes

.................................
Leitor!! Entre nessa cena comigo
E entenda os meus receios
Entenda os seus receios também

Estranhos
..........
Palavras nunca ditas
............
Vidas independentes
..........
Horizontes opostos

No mundo das probabilidades
Impossível passa a ser uma certeza
Um estranho em uma multidão
Um estranho sempre na multidão

Leitor fosse eu do outro lado
Temeria
Eu desse lado por esse outro temo

Um louco na multidão
Para mim é loucura
Essa é a visão da pessoa que não sou...
A visão que me entristece... ... ...

O leitor fosse meu amigo diria
“ Eu te entendo”
Oh! Caro leitor fosses tu meu amigo eu diria
“ Por favor não me entendas”

Na mente louca de um insano me encontro
Por ter esses atos insanos
Ao qual me permito sair... portanto crer
E ao vê-lo não me permito...portanto perder a fé

Não posso
E quanto mais o mundo se faz real
Mais essa caminhada se torna difícil

Mas...

Desistir é para os fracos
Se permitir o adeus
É para os elevados de espírito
Estar encima desse muro
É para todos nós...

Versos tristes
Ainda são versos.